Avaliação de Espécies Forrageiras Disponíveis Para Ruminantes no Semiárido

Avaliação de Espécies Forrageiras Disponíveis Para Ruminantes no Semiárido

Discente: 
Kelly Cristina dos Santos
Orientador: 
André Luiz Rodrigues Magalhães

Ao se considerar a importância da diversidade de alimentos disponíveis para a alimentação de ruminantes no semiárido, objetivou-se estimar o valor nutricional das espécies forrageiras: maniçoba (Manihot psedoglazziovii Pax. & Hoffm); sabiá (Mimosa caesapiniifolia Benth); mororó (Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.); leucena (Leucaena leucocephala Lam.); cunhã (Clitorea ternatea) e gliricídia (Gliricidia sepium), a partir da composição química, do fracionamento dos carboidratos e proteínas, dos parâmetros de degradação e fermentação ruminal, da digestibilidade in vitro da matéria seca e da degradação ruminal e pós-rúmen da proteína. As amostras foram coletadas, em quatro repetições por espécie, no campo experimental da Caatinga, pertencente a Embrapa Semiárido (CPATSA), no município de Petrolina-PE. O fracionamento dos carboidratos e proteínas foi realizado com base no Cornell Net Carbohydrate and Protein System (CNCPS). A avaliação da degradação da matéria orgânica e dos produtos da fermentação ruminal foi realizada por meio da técnica in vitro semiautomática de produção de gases. A degradabilidade ruminal e digestibilidade intestinal da proteína foram estimadas por meio da técnica dos três estágios. Apesar de todas as espécies avaliadas apresentarem teores de proteína bruta acima de 110 g/kg de MS, a leucena, seguida da maniçoba, destacaram-se apresentando os maiores teores (P<0,05). As maiores concentrações (P<0,05) de fenóis totais (FT), taninos totais (TT) e taninos condensados (TC) foram encontrados nas espécies sabiá e mororó, em relação às demais espécies avaliadas. A cunhã, seguida da leucena, apresentou a maior concentração da fração B2 (fibra potencialmente digestível) e as demais espécies não diferiram (P>0,05) entre si. A fração C (fração indisponível da fibra) foi encontrada em maior quantidade (P<0,05) no sabiá e no mororó. As frações nitrogenadas de alta e média degradação ruminal, foram encontradas em maiores concentrações na cunhã e na leucena, em relação ao sabiá que apresentou a menor concentração. A fração C, que corresponde ao nitrogênio que está indisponível para o metabolismo animal, foi maior nas espécies sabiá e mororó (P<0,05) e menor para as espécies cunhã, leucena e maniçoba. A maniçoba, a gliricídia e, em menor escala, a leucena, proporcionaram maior (P<0,05) degradação verdadeira da matéria orgânica (DVMO g/kg MO), em contraste sabiá e mororó apresentaram menor degradação. Gliricícia, leucena e maniçoba destacaram-se, apresentando elevado potencial (P<0,05) de digestibilidade. A cunhã apresentou o maior percentual de proteína degradável no rúmen (PDR) e menor percentual (P<0,05) de proteína não degradável no rúmen (PNDR %PB). A leucena apresentou maior digestibilidade intestinal (DI g/kg MS) da proteína, bem como maiores valores de PNDR digestível (PNDRd g/kg MS). Gliricídia, leucena e maniçoba apresentaram potencial de redução da produção de CH4 entérico, sem efeitos negativos sobre a degradação dos nutrientes. Essas espécies apresentaram também alto potencial de digestibilidade e fornecimento de carboidratos prontamente fermentescíveis. A leucena destacou-se como fonte de proteína protegida da degradação ruminal e disponibilizada no intestino.