Avaliação Técnica, Econômica e Acompanhamento da Qualidade do Leite de Sistemas de Produção de Bovinos Leiteiros no Agreste Pernambucano

Avaliação Técnica, Econômica e Acompanhamento da Qualidade do Leite de Sistemas de Produção de Bovinos Leiteiros no Agreste Pernambucano

Discente: 
Marla Conceição Oliveira
Orientador: 
José Maurício de Souza Campos

Objetivou-se levantar e avaliar os perfis tecnológicos, zootécnicos e socioeconômicos, identificar e quantificar indicadores-referência (benchmark), assim como avaliar os fatores de meio que afetam a composição e a qualidade higiênica sanitária do leite, para sistemas de produção de bovinos de leite, de caráter não experimental, de forma a contribuir para a sustentabilidade e competitividade da pecuária de leite na mesorregião do Agreste pernambucano. Para identificar e quantificar os indicadores-referência foram avaliados durante doze meses, trinta e seis sistemas de produção de leite de vacas da agricultura familiar e empresarial. Os sistemas foram caracterizados em relação ao perfil tecnológico e aos indicadores de tamanho, zootécnicos e econômicos. Foram determinados os coeficientes de correlação com a taxa de remuneração do capital investido e em seguida geradas equações de regressão, para cada indicador, em função de quatro cenários de taxa de remuneração do capital investido (4, 6, 8 e 10% ao ano). Mensalmente foram coletadas amostras de leite, entre março de 2012 e fevereiro de 2013 de trinta e cinco sistemas de produção e de nove tanques coletivos de captação e resfriamento. Foram avaliados os efeitos de três períodos do ano (águas, transição e seca); cinco estratos de produção diária de leite; agricultura familiar e empresarial; comercialização formal e informal e municípios de origem (São Bento do Una, Águas Belas e Garanhuns). Os indicadores-referência correlacionados e seus respectivos valores nos quatro cenários foram: produção de leite/vacas em lactação (13,37; 13,91; 14,45 e 15 L/dia); produção de leite/área (3.617,72; 4.018,00; 4.418,20 e 4.818,45 L/ha/ano); preço médio do leite (0,99; 1,00; 1,02 e 1,03 R$/L); custo operacional efetivo/preço do leite (64,81; 60,34; 55,87 e 51,39%); custo operacional total/preço do leite (85,78; 75,95; 66,12 e 56,29%); custo total/preço do leite (112,53; 99,82; 87,11 e 74,40%) e lucratividade (13,90; 23,78; 33,67 e 43,55%). No período seco, o leite apresentou os menores (P<0,05) teores de gordura, proteína, caseína, estrato seco total (EST) e desengordurado (ESD). O estrato de produção menor que 50 L/dia apresentou os menores teores (P<0,05) dos componentes do leite a exceção de gordura. O leite comercializado no mercado informal apresentou menor (P<0,05) teor de lactose, e o do mercado formal; o menor escore de células somáticas (ECS) e de bactérias totais (EBT). Na agricultura empresarial, os teores de gordura, proteína, caseína e EST foram maiores (P<0,05) e o ECS menor (P<0,05) no leite produzido pela agricultura familiar. O leite originário de Águas Belas apresentou maior (P<0,05) teor de lactose e o de Garanhuns, gordura e EST. O menor (P<0,05) ECS foi encontrado no leite de Águas Belas e maior (P<0,05) EBT em Garanhuns. Nos tanques coletivos, os teores de gordura, proteína, EST e caseína foram menores (P<0,05) no período seco, a CCS atende a legislação vigente e a CBT foi superior ao recomendado. A produtividade dos fatores de produção animal e terra apresentaram maior correlação com rentabilidade. A identificação e quantificação de indicadores referência podem contribuir para a identificação dos pontos frágeis da pecuária leiteira no Agreste, tornando-a sustentável e competitiva. A composição e a qualidade higiênica sanitária do leite do Agreste pernambucano atendem a legislação vigente. No entanto, devem ser desenvolvidas ações junto aos produtores, visando aumentar o teor de ESD e as condições higiênicas de obtenção e resfriamento do leite para reduzir a CBT.